Seguro Viagem FAPESP: Obrigatoriedade, Coberturas Exigidas e Como Escolher

Receber uma bolsa da FAPESP para pesquisa no exterior é uma conquista significativa. Mas antes de embarcar, há uma obrigação que muitos bolsistas só descobrem na véspera: o seguro viagem é obrigatório para qualquer modalidade de bolsa que envolva deslocamento internacional. E não é qualquer seguro — a fundação exige coberturas específicas que vão além da assistência médica básica.

Este guia reúne tudo o que você precisa saber: o que a FAPESP exige, quais coberturas são indispensáveis, como funciona o reembolso pelo auxílio e como comparar as opções disponíveis no mercado para não pagar mais do que o necessário — nem contratar menos do que o exigido.

O que é a FAPESP e para quem se aplica esse guia

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) é uma das principais agências brasileiras de fomento à pesquisa científica e tecnológica. Vinculada ao Governo do Estado de São Paulo, ela financia projetos e concede bolsas em todos os níveis — da iniciação científica ao pós-doutorado — e apoia o intercâmbio de pesquisadores com instituições internacionais.

Este guia é relevante para bolsistas das seguintes modalidades que envolvem deslocamento ao exterior:

  • BEPE — Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (IC, Mestrado, Doutorado, Pós-Doutorado)
  • BPE — Bolsa de Pesquisa no Exterior (pesquisadores doutores)
  • Auxílio Participação em Reunião Científica no Exterior
  • Auxílio Pesquisador Visitante (para visitantes estrangeiros vindos ao Brasil)
  • Reserva Técnica de Bolsas utilizada para viagens internacionais
  • Bolsa de Participação em Curso ou Estágio Técnico no Exterior (Nível 4)

O seguro viagem é obrigatório para bolsistas FAPESP?

Sim, sem exceções. A contratação de seguro viagem internacional é compulsória para todos os bolsistas que viajam ao exterior com recursos da FAPESP, conforme estabelecido nas normas oficiais da fundação e no Manual do Bolsista.

O bolsista deve contratar o seguro por conta própria — a FAPESP não indica nem contrata nenhuma seguradora. O que a fundação faz é reembolsar o valor do seguro por meio do auxílio concedido, dentro dos limites estabelecidos. Mais detalhes sobre o processo de reembolso na seção a seguir.

Atenção: além das exigências da FAPESP, o país de destino pode ter requisitos próprios — como o Tratado de Schengen, que exige cobertura mínima de €30.000 para entrada na área. Verifique as exigências específicas do seu destino antes de contratar.

Coberturas exigidas pela FAPESP

A FAPESP não define uma lista de coberturas com valores mínimos fixos, mas orienta que o seguro seja o mais completo possível. Com base nos regulamentos oficiais e nas práticas exigidas na prestação de contas, as coberturas indispensáveis são:

CoberturaExigência
Assistência médica e hospitalar de emergênciaObrigatória
Repatriação sanitáriaObrigatória
Repatriação funerária (translado do corpo)Obrigatória
Acompanhamento de familiar em caso de internação prolongada (48h+)Obrigatória
Cobertura pelo período integral da bolsaObrigatória
Farmácias e medicamentos de emergênciaRecomendada
Extravio/dano de bagagemRecomendada
Cancelamento e interrupção de viagemRecomendada

Um ponto importante: a FAPESP usa o termo “seguro saúde” em alguns documentos, mas o produto adequado é o seguro viagem internacional — não um plano de saúde convencional. O seguro viagem é o único que contempla todas as coberturas exigidas, incluindo repatriação e acompanhamento de familiar.

Se a cobertura médica que você está considerando não inclui repatriação funerária e acompanhamento de familiar, ela não atende às exigências da FAPESP — mesmo que o valor seja elevado. Antes de fechar qualquer contrato, vale comparar planos com essas coberturas lado a lado no Seguros Promo, que reúne dezenas de seguradoras com filtros por cobertura e destino.

Como funciona o reembolso do seguro viagem pela FAPESP

A FAPESP cobre o custo do seguro viagem por meio do auxílio concedido em cada modalidade de bolsa. O funcionamento varia conforme a duração e o tipo de bolsa, mas o processo geral segue estas etapas:

  1. Contratação prévia: o bolsista contrata o seguro antes da viagem, com cobertura pelo período integral da bolsa no exterior.
  2. Solicitação de liberação: o valor é solicitado pelo sistema SAGe (Sistema de Apoio à Gestão da FAPESP) antes ou logo após a chegada ao exterior.
  3. Crédito em conta: para bolsas com duração superior a 3 meses, os pagamentos de seguro, transporte e primeira mensalidade são depositados na conta corrente do bolsista no Banco do Brasil. Para bolsas de até 3 meses, o valor total é creditado na mesma conta da bolsa no país.
  4. Prazo para comprovação: o bolsista tem até 30 dias após a chegada ao exterior para enviar à FAPESP o comprovante da apólice e o recibo de pagamento com o número do processo FAPESP.
  5. Comprovantes exigidos: apólice com datas e coberturas detalhadas + recibo de pagamento com valor, vigência e número do processo.

Valores do auxílio para seguro viagem

A FAPESP define um valor máximo reembolsável por mês ou fração de dias. Os valores vigentes são:

ModalidadeValor vigente (a partir de set/2025)Valor anterior (jun/2022 a ago/2025)
Bolsista (todas as modalidades elegíveis)R$ 1.680,00/mês ou fraçãoR$ 1.560,00/mês ou fração
Dependente do bolsista BPER$ 1.680,00/mês ou fraçãoR$ 1.560,00/mês ou fração

Regra para viagens inferiores a 30 dias: o valor é calculado proporcionalmente — 1/30 do valor mensal por dia de viagem.

Dependentes: o auxílio para dependente (cônjuge e/ou filhos) está disponível apenas na modalidade BPE, e somente para aqueles que permanecerem 6 meses ou mais ininterruptos no exterior com o bolsista e que não recebam outro rendimento de fonte no exterior.

Atenção ao valor contratado: o bolsista deve solicitar no sistema SAGe exatamente o valor do seguro contratado — não é possível solicitar mais do que o efetivamente pago.

Quanto custa um seguro viagem para bolsistas FAPESP?

O custo varia bastante de acordo com o destino, a duração da bolsa, a idade do bolsista e as coberturas contratadas. Como referência geral:

  • Europa (sem USA/Canadá): planos com €30.000 de cobertura médica costumam ficar entre R$ 8 e R$ 15 por dia para bolsistas jovens (25–35 anos).
  • América do Norte (EUA/Canadá): destinos com custo médico elevado puxam os valores para R$ 15 a R$ 30 por dia ou mais, especialmente com coberturas mais robustas.
  • Estágios longos (6–12 meses): planos anuais costumam ter custo por dia menor do que contratos mensais avulsos.

Com o auxílio da FAPESP de R$ 1.680/mês, a maioria dos bolsistas consegue cobrir integralmente o custo do seguro para destinos europeus. Para EUA e Canadá, pode ser necessário complementar com recursos próprios em casos de coberturas mais amplas ou bolsistas com mais de 50 anos.

Para comparar preços e coberturas entre as principais seguradoras do mercado, o Seguros Promo permite filtrar por destino, duração e cobertura médica mínima — útil para garantir que o plano escolhido atenda às exigências da FAPESP sem pagar a mais por coberturas desnecessárias.

Como escolher o melhor seguro viagem para a bolsa FAPESP

A FAPESP não exige uma seguradora específica. Qualquer empresa devidamente registrada na SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) e autorizada a operar no Brasil pode ser contratada. Isso significa que o bolsista tem liberdade total para comparar e escolher.

Ao avaliar as opções, considere os seguintes critérios:

1. Coberturas mínimas obrigatórias

Confirme que o plano inclui: assistência médica de emergência, repatriação sanitária, repatriação funerária e acompanhamento de familiar em internação prolongada. Sem essas quatro coberturas, o plano não atende às exigências da fundação.

2. Cobertura para o período integral

A apólice deve cobrir do primeiro ao último dia da vigência da bolsa no exterior. Seguros com duração máxima de 30 ou 60 dias podem não ser adequados para BEPEs ou BPEs de longa duração. Verifique se a seguradora oferece planos anuais ou renováveis.

3. Adequação ao destino

Para estágios na Europa, o plano deve atender ao Tratado de Schengen (mínimo de €30.000 de cobertura médica). Para EUA, Canadá e Austrália — países com custo médico extremamente elevado — recomenda-se cobertura acima de US$ 100.000. Um plano subdimensionado pode deixar o bolsista exposto a despesas que superam em muito o valor do auxílio.

4. Atendimento em português 24h

Em situações de emergência médica no exterior, atendimento em idioma nativo faz diferença. Prefira seguradoras com central 24 horas em português — um critério relevante especialmente em destinos onde o inglês não é o idioma oficial.

5. Reputação e histórico de sinistros

Consulte a nota da seguradora no Reclame Aqui e no Consumidor.gov.br, com atenção especial a reclamações sobre dificuldades no acionamento, reembolso e qualidade do atendimento internacional. Uma seguradora barata que não resolve sinistros é um risco real.

O Seguros Promo reúne opções de dezenas de seguradoras com filtros por destino, cobertura e faixa de preço. É uma forma prática de comparar planos que atendam às exigências da FAPESP antes de contratar.

Cobre COVID-19?

Atualmente, a maioria das seguradoras inclui cobertura para COVID-19 nos planos de assistência médica de emergência — tratamento, hospitalização e, em alguns casos, extensão de estadia por quarentena. No entanto, os detalhes variam: testes diagnósticos (PCR, antígeno) geralmente não estão incluídos e precisam ser custeados pelo próprio bolsista.

Confirme a cobertura para COVID-19 diretamente nas condições gerais do plano antes de contratar, especialmente se o destino ainda exige comprovação de seguro com essa cobertura específica para obtenção de visto.

Passo a passo: do seguro à prestação de contas

  1. Compare planos com as coberturas exigidas pela FAPESP e pelo país de destino. Use o Seguros Promo ou consulte diretamente as seguradoras.
  2. Contrate com antecedência — o seguro deve estar ativo desde o primeiro dia da bolsa no exterior. Evite deixar para a última hora, pois a emissão pode levar alguns dias e o documento é necessário para o visto.
  3. Guarde todos os documentos: apólice completa (com datas de vigência e coberturas detalhadas), comprovante de pagamento e número do processo FAPESP.
  4. Solicite a liberação no SAGe dentro do prazo estabelecido para sua modalidade de bolsa.
  5. Envie a comprovação à FAPESP em até 30 dias após a chegada ao exterior, via sistema SAGe.
  6. Em caso de sinistro: contate a central de emergência da seguradora — e não a FAPESP — para acionamento. Guarde todos os recibos e relatórios médicos para eventual prestação de contas.

Vale a pena contratar mais do que o mínimo exigido?

Em geral, sim. A FAPESP define um auxílio fixo por mês — não um reembolso baseado no que você gastou. Se o plano mais adequado para o seu destino custa menos do que o valor do auxílio, a diferença não é reembolsada nem aproveitada de outra forma. Isso significa que, dentro do limite do auxílio, optar por um plano com coberturas mais amplas não tem custo adicional para o bolsista.

Para bolsistas em destinos de alto custo médico (EUA, Canadá, Austrália), um plano com cobertura médica de US$ 50.000 pode ser insuficiente diante de uma internação hospitalar. Nesses casos, vale considerar planos com US$ 100.000 ou mais — uma pequena diferença de custo que pode representar proteção significativa.

Para quem quer fazer essa comparação com clareza, o Seguros Promo permite visualizar exatamente o que cada plano cobre e quanto custa — com filtros por limite de DMH, cobertura para COVID, bagagem e outros itens relevantes para bolsistas.

Perguntas frequentes

O seguro viagem é obrigatório para todos os bolsistas FAPESP?

Sim. O seguro viagem internacional é obrigatório para toda bolsa ou auxílio FAPESP que envolva deslocamento ao exterior, incluindo BEPE, BPE, Auxílio Participação em Reunião Científica e outras modalidades. O bolsista deve contratá-lo por conta própria e comprovar a contratação no sistema SAGe em até 30 dias após a chegada ao exterior.

A FAPESP indica alguma seguradora específica?

Não. A FAPESP não indica nem tem parceria com nenhuma seguradora. O bolsista pode contratar qualquer empresa devidamente registrada na SUSEP e autorizada a operar no Brasil. A fundação apenas reembolsa o valor dentro dos limites estabelecidos.

Quais coberturas são obrigatórias pelo seguro exigido pela FAPESP?

As coberturas mínimas exigidas são: assistência médica e hospitalar de emergência, repatriação sanitária, repatriação funerária (translado do corpo) e acompanhamento de pelo menos um familiar em caso de internação por mais de 48 horas. A cobertura deve ser válida pelo período integral da bolsa.

Qual é o valor do auxílio para seguro viagem da FAPESP?

O auxílio vigente é de R$ 1.680,00 por mês ou fração de dias (a partir de setembro de 2025). Para viagens inferiores a 30 dias, o valor é calculado proporcionalmente: 1/30 do valor mensal por dia. O bolsista deve solicitar no SAGe exatamente o valor do seguro contratado.

O seguro viagem cobre dependentes do bolsista FAPESP?

O auxílio para dependentes (cônjuge e/ou filhos) está disponível apenas na modalidade BPE, para dependentes que permaneçam 6 meses ou mais ininterruptos no exterior com o bolsista e que não recebam outro rendimento de fonte no exterior. O valor do auxílio é o mesmo do bolsista principal.

Seguro viagem atende ao Tratado de Schengen para bolsistas indo à Europa?

Sim, desde que o plano contratado tenha cobertura médica mínima de €30.000, conforme exigência do Tratado de Schengen. A maioria dos planos de nível intermediário ou superior já atende esse requisito. Verifique nas condições gerais do plano antes de contratar.

Como funciona o reembolso do seguro viagem pela FAPESP?

O bolsista contrata e paga o seguro, depois solicita a liberação do auxílio pelo sistema SAGe. Para bolsas de mais de 3 meses, o pagamento é feito na conta corrente do Banco do Brasil antes da viagem, mediante solicitação prévia. O bolsista deve enviar à FAPESP a apólice e o recibo de pagamento em até 30 dias após a chegada ao exterior.

Um plano de saúde comum substitui o seguro viagem exigido pela FAPESP?

Não. A FAPESP usa o termo ‘seguro saúde’ em alguns documentos, mas o produto adequado é o seguro viagem internacional — não um plano de saúde convencional. Apenas o seguro viagem inclui repatriação sanitária, repatriação funerária e acompanhamento de familiar, coberturas exigidas pela fundação.

O seguro viagem FAPESP cobre COVID-19?

A maioria dos planos de seguro viagem disponíveis atualmente inclui cobertura para COVID-19 em casos de emergência médica (hospitalização, tratamento). Testes diagnósticos (PCR, antígeno) geralmente não estão cobertos. Confirme a cobertura específica nas condições gerais do plano antes de contratar.

Posso usar o seguro viagem do meu cartão de crédito para atender a exigência da FAPESP?

Depende. Alguns cartões premium (Mastercard Black, Visa Infinite) oferecem seguro viagem com coberturas que podem atender parcialmente às exigências da FAPESP. Porém, os seguros de cartão geralmente têm limitações: exigem que a passagem seja comprada com o cartão, têm prazo máximo de cobertura (30 a 60 dias) e podem não aceitar bolsas de longa duração. Para BEPEs e BPEs, recomenda-se um seguro viagem contratado independentemente.

Conclusão

O seguro viagem para bolsistas FAPESP é uma obrigação formal — mas também uma proteção real. Pesquisadores que passam meses em outro país, longe da família e do sistema de saúde brasileiro, precisam de um plano que funcione de verdade em caso de emergência. A boa notícia é que a FAPESP arca com o custo dentro do valor do auxílio, o que torna viável contratar um seguro com cobertura adequada sem comprometer o orçamento da bolsa.

O passo mais importante é comparar planos com as coberturas exigidas — não apenas pelo menor preço, mas pelo melhor equilíbrio entre cobertura, atendimento em emergências e reputação da seguradora. O Seguros Promo é um bom ponto de partida: reúne dezenas de opções com filtros por destino, cobertura médica mínima e preço, permitindo identificar rapidamente quais planos atendem às exigências da FAPESP — e qual deles oferece o melhor custo-benefício para o seu perfil.

Sou Flávio Antunes, empreendedor e criador de conteúdo. No Dicas de Seguro, eu traduzo o “segurês” para o português de gente: comparo coberturas, explico o que realmente importa nas letras miúdas e ajudo você a economizar e contratar com clareza sem pagar por proteção que não precisa.